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- És a mestra Apocrypha? Que anda pelo mundo para espalhar
seus ensinamentos? – ele mostrava incredibilidade no rosto. Ela balançou suavemente a cabeça e um pequeno sorriso
iluminou seu rosto. - Creio que se enganou, jovem senhor. Estou mais para
aprendiz do que para mestra. Pouco sei das coisas do mundo. - Mas és ela? - Sim, sou Apocrypha. – ela apoiou-se na espada. - Pensei que fosses lenda, criada pelo imaginário daqueles
que querem mudar o mundo. - Lenda não sou, pois estou aqui na sua frente. E não quero
mudar o mundo, apenas o coração daqueles que nele vivem. Mas, como soube que
sou Apocrypha? - Pela estrela em seu peito. - ela levou uma das mãos à
corrente e segurou o cristal. – Um comerciante, contador de muitas histórias,
contou sobre uma mulher que viajava sozinha. É sábia como os anciões, os
corações mais frios se aquecem diante de sua beleza e uma estrela sempre brilha
em seu coração. – o garoto apontou para a mão fechada. - Bem, se fosse procurar por uma mulher bela, jamais chegaria
a mim. – Soltou o cristal e levou uma mecha de cabelo para trás da orelha.
Procurou mudar o assunto da conversa, pois, por se achar quase feia, sua
aparência não era seu assunto favorito. – Então, o senhor deseja que eu saia de
suas terras? - Não apenas permito sua estada, mas convido-a para passar
um tempo em minha casa, pois se a história do comerciante for verdadeira, a
senhora deve estar exausta e precisando de repouso. - Na verdade, estou cansada, mas uma noite de sono
tranqüilo, sob as estrelas, basta para restabelecer-me. E amanhã de manhã
preciso partir com o sol para chegar à cidade de Ridam antes do anoitecer. - Ora, então posso lhe oferecer abrigo para a noite e
transporte para a cidade amanhã de manhã. Uma carroça irá sair de minha casa
para ir à cidade vender nossa produção. A senhora pode ir junto, assim
descansará melhor e chegará antes do anoitecer à cidade. - Agradeço sua preocupação, senhor, mas ficarei aqui mesmo. - Então, insisto para que venha comigo, pois a noite aqui é
muito fria e seria descortesia deixar uma senhora dormir no chão, tendo o céu
por teto. Eu não conseguiria dormir à noite. Apocrypha fitava o rapaz. Ele era dono de uma incrível
beleza. Tinha nos olhos a cor do céu sem nuvens, um azul claro e forte. Os
cabelos pareciam raios de sol, de tão dourados e brilhantes; os fios eram finos
e, à menor brisa, voavam de tão leves. O rosto era fino e a pele bronzeada. Não
estava ricamente trajado, mas as roupas de veludo e seda confirmavam sua alta
linhagem. Um broche de ouro, na forma de um brasão, era a única jóia e pertence
valioso que usava e prendia-lhe a capa de viagem. A única arma era a espada que
quase sacou quando a viu. Olhou profundamente em seus olhos e percebeu que
estava na frente de uma pessoa obstinada e muito teimosa. Então, resolveu
provocá-lo.
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