- Direi apenas o necessário pois o tempo corre contra nós. Ouvi Ekol falando às escondidas com Durval. Diziam que precisavam agir depressa e que mandariam um mensageiro para Hebert colocar os planos em prática imediatamente. Como Hebert é da guarda pessoal de Frederic e com toda essa paranóia de traição, acredito que eles estejam tramando algo. Por isso preciso encontrar Frederic ou Siegfrid para avisá-los.

- Frederic é inocente. – Apocrypha murmurou e sentiu o coração desanuviar. Mas Siegfrid não sabia disso e fora atrás de Frederic e ela preocupou-se novamente. – Franco, vamos logo! Temos de encontrar Siegfrid antes que uma tragédia aconteça. – o rapaz saiu detrás da porta, mas antes tomou a faca de Apocrypha e a escondeu com a que estava com ele. Assim que Ethormê pôs os olhos no filho de Idon, ele se mostrou visivelmente confuso.

- E o que está acontecendo aqui? Vocês já sabiam da traição de Ekol e Durval?

Apocrypha abriu a boca para falar, mas Franco adiantou-se:

- Senhor, o capitão Siegfrid ordenou-me que guardasse a servente que estava envenenando a senhora Hilda. A jovem não sabia o que estava fazendo e, por isso, era a única defesa dos senhores Frederic e Siegfrid. Ekol e Durval descobriram o local em que estávamos escondidos e mandaram seus homens assassiná-la. Entre eles, estava Hebert, fato que nos fez desconfiar que Frederic também nos traía.

- Vamos logo, senhores! Temo pela vida de Frederic e de sua família. Temos que enviar alguém para proteger Sofia e Karerina e encontrar Siegfrid. Senhor Ethormê, por onde o senhor já o procurou, para pouparmos tempo e evitarmos estes lugares? – a mente de Apocrypha trabalhava no mesmo ritmo das batidas do seu coração: acelerado e descontrolado.

- Acalme-se, mulher! Vá procurar seu primo na ala Oeste do palácio; Franco irá na Leste e eu irei cuidar dos entes de Frederic.

Franco já saía, quando Apocrypha o segurou. Sua voz saiu em um murmúrio quase inaudível:

- Não, vamos para a ala sul. Estou com um pressentimento que as coisas vão acontecer por lá. – e levou a mão ao peito, onde estava sua pedra. – Senhor Ethormê, cuide de Karerina, não deixe nada acontecer com ela, por favor.

Ethormê não criticou a ousadia de Apocrypha por acreditar que Nalin agia no coração das mulheres. Afinal, elas foram responsáveis pelo fim de uma guerra que durou gerações naquelas terras. Então, ele concordou com a cabeça e partiu. Apocrypha puxou Franco consigo e eles começaram a correr para a ala sul do castelo.

- Desde quando a senhora e o capitão Siegfrid são primos? – o rapaz perguntou, enquanto devolvia a faca para Apocrypha.

- Desde que ele precisou de uma espiã e de um pretexto para colocá-la no castelo. – ela prendeu a faca no cinto do vestido e eles continuaram a correr.

Quando estavam próximos à entrada do castelo, encontraram Idon e Franco chamou pelo pai que veio até eles, surpreso.

- Franco, o que fazes aqui? Não estavas em missão?

 

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