- Sabes que não poderei protegê-la. – Siegfrid cedeu diante da teimosia.

- Não vou para que me proteja, vou para protegê-lo. Podemos ir agora?

Siegfrid concordou com a cabeça contrariado e os três compartilharam o mesmo caminho até a entrada do castelo. Lá, Frederic seguiu pela imensa porta de madeira e gritou para os dois:

- Adeus!Espero vê-los novamente! – e sumiu na escuridão da noite.

Aquela despedida parou o coração de Apocrypha por um instante e ela teve ímpeto de voltar e fazê-lo retirar aquelas palavras, mas a consciência do perigo que estavam correndo a fez continuar seguir Siegfrid em seus calcanhares. Sabia que podia morrer e, por isso, tomou para si a despedida de Frederic: esperava vê-lo novamente.

O capitão e sua espiã passaram em frente à capela interna do castelo e Apocrypha pôde ver Hilda no altar. Sem pensar muito, a andarilha gritou por Siegfrid, que retornou e entrou no recinto, enquanto Apocrypha vigiava a porta.

- Hilda venha comigo! Descobrimos quem são os traidores e preciso levá-la para um lugar mais seguro. – ele se aproximou dela e tocou seu ombro, mas ela continuou a encarar o altar.

- Eu sei, Siegfrid, mas saia daqui, não quero que ninguém se machuque por minha causa. – ela falava com a voz impregnada de choro.

- Você está se entregando? Hilda, não pode fazer isso.  – Siegfrid a virou delicadamente para olhá-la nos olhos e viu na mão dela uma adaga e um papel.

- Eu nunca me entregaria, sabes disso. Eu mesma vou matar Durval. – sua voz estava decidida apesar da tristeza de ter de tirar a vida de alguém.

- Durval não virá sozinho pois Ekol está com ele. E eu não vou permitir que você faça isso. Prometi protegê-la para impedi-la deste tipo de ato.

- Siegfrid, eles desejam apenas a minha vida, e mesmo que eu morra levarei um deles comigo. Não precisarás sujar suas mão de sangue.

- Entenda uma coisa Hilda: eu não vou abandoná-la e não vou permitir que eles se aproximem de você – ele segurou o rosto dela entre suas mãos e ela cedeu ao toque dele.

- Está bem, irei com você, mas prometa que não se deixará ficar em perigo. – ela segurou as mãos dele esperando a promessa que ele não fez. Siegfrid pegou nas mãos dela e a guiou para fora da capela. Da porta, Apocrypha fez um sinal para o capitão:

- Siegfrid, Idon vem com ajuda.

- Ótimo, tenho contas a acertar com ele. Espero que ele aceite minhas desculpas. – saíram da capela e encontraram Idon com mais sete homens.

- Onde está Franco? – Apocrypha adiantou-se ao ver que o rapaz não estava entre eles.

- Mandei-o descansar. Ele estava ferido e cansado, porém é teimoso e tenho certeza que foi ficar com a servente.

 

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