- Desculpe-me incomodá-lo novamente, senhor Siegfrid, mas desejo ir para o norte. Poderia me dizer como chegar à estrada que me levará até lá?

Siegfrid mirou seus olhos na andarilha e aponto para as árvores:

- Vê as marcas vermelhas nas árvores? Indicam o caminho para o norte, mas uma nevasca caiu há três dias e bloqueou a estrada. Estamos aqui para desimpedi-la e pretendemos fazer isso em até sete dias.

“Sete dias ao relento! Vou morrer de frio na primeira noite e não tenho dinheiro para ficar em nenhuma estalagem” pensou enquanto seu olhar frustrado tornava a encarar a fogueira. Então, uma idéia iluminou a sua mente:

- Existe alguma estalagem ou casa próxima daqui que aceitaria uma ajudante nestes dias? Vou precisar de um abrigo e pretendo pagar a estadia com trabalho.

Siegfrid virou-se para o homem que estava ao seu lado e falou-lhe baixo. O homem pareceu concordar com algo e entornou a caneca de hidromel, rindo um pouco. Siegfrid tornou a olhar Apocrypha:

- Existe uma estalagem que lhe pagaria bem, mas ela sairá muito de seu caminho. Contudo, se a senhora desejar, pode ficar aqui e nos ajudar. Não pagaremos tão bem, porém o serviço será um pouco menor.

- Vou aceitar a sua proposta, senhor Siegfrid, e posso começar agora mesmo.

O homem que estava ao lado de Siegfrid, segurando a caneca de hidromel, se levantou e se dirigiu a andarilha.

- Então, seja bem vinda, senhora. Sou Frederic Argosson e, como senhor desta casa, trabalhará para mim. Vamos entrar e eu lhe mostrarei o seu serviço.

Apocrypha se levantou, fez um meneio com a cabeça pedindo licença para os homens que ficavam, e saiu com Frederic. Dentro da cabana, ela deparou-se com a bagunça costumeira de um lugar cheio de homens.

- Seu nome é Apocrypha, não? – Frederic perguntou, enquanto fechava a porta.

- Sim, senhor Frederic. – ela respondeu com um suave sorriso nos lábios.

- Por favor, mulher, dispense o senhor. Não gosto destas formalidades. Vou admitir para você que agradeço a sua presença, não suportava mais ver tantas caras barbadas – ele ria alegre, talvez bebera muito hidromel, mas Apocrypha não conseguiu evitar de sorrir também. – Bem, aqui é a sala e estão dormindo cinco soldados que trabalham de dia. Lá em cima, existem três quartos. Em um deles, dormem cinco soldados que trabalham à noite e o escudeiro do capitão; o capitão está dormindo no quarto maior e você ficará no quarto em que eu estava; passarei a ficar junto com os soldados. – ele apontava e gesticulava enquanto falava e, quando Apocrypha ouviu que ele cederia seu quarto para ela, ia protestar, mas Frederic foi mais rápido – Sim, ficará lá, principalmente depois que eu lhe mostrar a cozinha. – e apontou uma porta, indicando para ela abrir. Apocrypha foi até a porta e a empurrou. Ela abriu rangendo e a visão detrás dela assustou Apocrypha mais do que se fossem cem dragões: pilhas e pilhas de pratos, panelas e copos, todos esperando há alguns dias para serem lavados.

 

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