Ela seguiu os dois homens pelas ruas até uma casa que ficava mais distante da movimentação. Havia um belo jardim em sua frente, onde uma mulher olhava atenta uma menina que brincava se escondendo entre as flores. Ao avistar os homens a menina veio correndo, chamando pelo pai. Frederic apressou o cavalo e, ao se aproximar do portão da casa, desceu da montaria e abraçou a menina, erguendo-a no colo. A mulher também se aproximou e Frederic a beijou. Apocrypha assistia a cena com um olhar nostálgico; Siegfrid desceu do cavalo, se aproximou puxando-o e cumprimentou a mulher curvando a cabeça e dando-lhe um abraço. Apocrypha também desceu do cavalo e se aproximou. Frederic a apresentou com um meneio de cabeça:

- Sofia, esta jovem é prima de Siegfrid. Ela quer trabalhar na cozinha do castelo e vai ficar aqui enquanto Siegfrid fala com o encarregado para arranjar-lhe o trabalho. Desculpe por tomar a decisão sem a consultar antes, mas será por poucos dias e precisávamos de um pouco de pressa.

- Não há com o que se preocupar, Frederic. – Sofia pegou a filha no colo. Mãe e filha eram muito parecidas: ambas possuíam olhos azuis e cabelos castanhos claros, mas a menina tinha a expressão travessa de Frederic. Sofia voltou o olhar para Apocrypha – Olá, menina, que sua estadia aqui seja alegre. Agora, vamos entrar, pois um chá quente nos aguarda.

Os cinco atravessaram o jardim e entraram na casa. Na entrada, uma criada os saudou e pegou as grossas capas de viagem. Foram a uma sala próxima a entrada, onde foi servido o chá. Sofia era a irmã mais nova de Hilda e sabia todas as preocupações da soberana e tudo o que acontecia no palácio. Contava o que julgava importante para o marido para que as melhores decisões fossem tomadas. Mostrou muita curiosidade sobre a prima de Siegfrid e disseram-lhe que se chamava Hortência e que se mudara para o estrangeiro na infância, por desejo dos pais. Karerina, a filha de Frederic e Sofia, estava no colo do pai e com o olhar fixo em Apocrypha. Quando a mãe foi na cozinha, ela se levantou e ficou em pé na frente da andarilha. Olhava atenta em seu peito.

- A luz era para estar com o homem e não com você.

- O que?- Apocrypha foi pega de surpresa.

- Ela não é sua. Por que ela não está com o homem?

Apocrypha ficou sem palavras, queria saber como Karerina sabia do cristal, já que ele estava oculto sob as suas vestes desde que encontrara Siegfrid e seus homens.

- Desculpe, menina, mas não carrego luz alguma. E não há motivos para que eu ter uma. – Apocrypha mantinha-se sorrindo e tentava manter as mãos sobre o colo, ao invés de levá-las à corrente.

- Karerina vá brincar lá em cima, querida. – a menina obedeceu ao pai e o olhar de Frederic tornou-se grave quando encarou Apocrypha. – Pode explicar isso, Apocrypha? – Siegfrid também a encarava, esperando a resposta. A andarilha manteve o olhar sereno para eles.

- Eu não devia mostrar isso, mas a confiança que depositam em mim me obriga. – suas mãos foram ao pescoço e puxaram a corrente de prata e o cristal, com sua luz, surgiu.

- A pedra tem luz? Como? – Siegfrid sentou-se ao lado de Apocrypha e tocou a pedra. Ela fechou a mão em torno dela, não permitindo que ele a pegasse.

- Desculpe-me, mas não sei porque ela tem essa luz. – e tornou a escondê-la.

    - Por que a mantém escondida?

 

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