- Porque desperta a cobiça de muitos e temo perdê-la. Uma pessoa que eu muito estimava me deu e não quero que a tomem de mim.

Frederic inclinou-se para perto de Apocrypha e falou baixo:

- E como Karerina sabia sobre a pedra se ela estava escondida?

- O brilho da luz oscila muito, talvez ela tenha brilhado mais forte por um instante e Karerina a viu. E meu mestre, quem me deu a pedra, viajava muito e era contador de histórias. Ela deve ter ouvido uma delas e associou com a luz. – Apocrypha explicava-se para Frederic, mas buscava uma explicação para si mesma e, por ela acreditar no que disse, a sinceridade em seu olhar fez com que os dois homens também acreditassem.

- Desculpe-nos, Apocrypha, mas é nosso dever desconfiar sempre. – Siegfrid voltou para onde estava sentado.

- Eu sei, por isso não precisam se desculpar. Sou uma estranha e encontrei-os em dias que se deve desconfiar dos amigos para garantir a segurança de todos. – o som de uma xícara quebrando fez a Sem Origem se levantar. – Acho que a senhora Sofia precisa de ajuda. Com licença. – ela sorriu e sumiu no corredor.

Depois disso, a tarde e os dois dias seguintes transcorreram sem nenhuma surpresa. Frederic e Siegfrid contaram a Apocrypha tudo sobre os outros Cinco capitães do palácio e Sofia a ensinou alguns pratos que eram servidos nos ricos jantares.

Siegfrid lhe arranjou o trabalho de servente e ela passou mais dez dias estudando com outras sete moças antes de passar a servir. Neste dia, ela conheceu os outros Quatro grandes senhores que serviam Hilda de Dargas e também conheceu a senhora: não era uma mulher belíssima, mas possuía um grande carisma. Sentava-se na ponta da longa mesa de carvalho, com Siegfrid, Idon, o homem que Apocrypha espionava, e Ethormê do seu lado direito; à esquerda, sentavam-se Ekol, Frederic e Durval.

Durante os jantares, Apocrypha não ouviu nada de importante saindo de suas bocas, mas a personalidade de cada um era revelada como um livro aberto. Siegfrid era o mais sério; Frederic quem causava mais risos, com suas histórias; Ekol falava pouco e sempre era muito frio; Idon era um exibicionista e apenas falava de suas terras e dos feitos de sua família; Durval não mostrava que tinha educação, apesar de ser o mais culto entre os capitães, pois tratava muito mal todos os servos, principalmente as mulheres; Ethormê falava tanto quanto Ekol, mas mostrava-se mais sábio e mais preocupado com as questões sociais do reino.

A andarilha - espiã só conseguiu alguma informação com o passar de nove dias, quando Hilda começou a sentir-se mais fraca e cansada. Siegfrid pediu à Apocrypha que ficasse mais atenta na cozinha. Suspeitava de algo acontecendo por lá e suas suspeitas se confirmaram em uma das noites mais frias daquele mês. Apocrypha entrou na cozinha e viu Anita, uma das serventes, preparando um prato de sopa:

- Anita, este prato é para a senhora Hilda?

- Sim Hortência, ela pediu uma sopa para afastar o frio e para ajudá-la a dormir. – a menina começou, então, a picar uma folha e colocou na sopa.

    - Deixa-me ver essas folhas, Anita.

     

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