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Capítulo III – Apocrypha e Alexandre Quando Alexandre terminou a história, poucas horas tinham
passado desde o início da noite. A lua pouco iluminava o céu, pois estava quase
nova e as estrelas enfeitavam o céu como diamantes jogados em um pano negro.
Ambos estavam com a cabeça coberta pelos capuzes das capas e seus rostos
permaneciam ocultos na escuridão, apenas o cristal de Apocrypha brilhava. Já
tinham deixado a floresta e caminhavam na estrada de terra. - Diga-me agora as lendas desta tua história, senhora
Apocrypha. – Alexandre encarava a mulher, querendo respostas. Apocrypha trazia
um sorriso alegre no rosto, recordando dos dias que passou em Dargas e ainda
enrolava os dedos na corrente. Olhou Alexandre profundamente nos olhos,
tentando ler sua alma, e disse-lhe: - Não fiz tanto quanto tua história diz. Só descobri o
envenenamento de Hilda porque Siegfrid suspeitava que algo estivesse
acontecendo na cozinha. E uma coisa que não mencionaste foi minha reprovação no
treinamento. Não fui considerada apta ao cargo de servente. - E como conquistaste o cargo? - Siegfrid interviu e pediu para que me deixassem ficar. Ele
precisava de mim para espionar Idon. - Eis aí um ponto obscuro para mim. Por que o capitão
Siegfrid desconfiava deste senhor Idon? - Em Dargas, o poder é dividido entre sete famílias e, para
que todas estejam no poder, a cada dez anos há um sorteio para saber qual
família assumirá o trono. Quando a família Draco de Siegfrid estava no poder, a
família Idos de Idon rebelou-se e instaurou um governo ditatorial. Segundo o
que li e as histórias contadas pelo povo, houve uma guerra civil terrível que
durou cerca de dez anos. Muitas pessoas foram perseguidas, assassinadas e
exiladas. Por isso, Siegfrid desconfiava de Idon, ele temia que a história se
repetisse. - E este não é um serviço perigoso demais para uma mulher?
Por que não um soldado? - Um soldado é treinado em muitas habilidades, senhor
Alexandre, mas é conhecido por seus superiores e não trabalha na limpeza de um
castelo. Isso limita muito seus movimentos, mas também não podemos esquecer que
não há nada melhor do que os ouvidos de uma mulher para ouvir segredos e
murmúrios. - Guardarei esta informação para os tempos de guerra:
treinar uma mulher para colher informações sigilosas. – Alexandre ria divertidamente. Chegaram a uma curva da estrada que bifurcava: um caminho, à
Leste, seguia as bordas da floresta e o outro, ao Norte, levava à sombra de uma
grande construção. No muro que o circundava e em suas janelas eram vistos
vários pontos de luz, provavelmente iluminavam a noite do guardas que faziam
suas rondas para manter a segurança do local e das pessoas que nele viviam.
Alexandre apontou para a sombra: - Estamos chegando. Vê aquela construção? É minha casa,
minha propriedade. Logo chegaremos lá.
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